
INTRODUÇÃO
Os personagens da Bíblia não são como os nossos heróis das histórias em quadrinhos, ou dos nossos heróis dos filmes de aventura, sempre infalíveis. Eu gostava muito do super-homem. A sua super velocidade, seu super sopro, seu olhar de raio x. Gostei muito, também, de Indiana Jones, que em suas aventuras vivia inúmeras peripécias sem que o chapéu caísse da cabeça. Não sabiam o que era medo, não sabiam o que era dor, frio, fome, sede. Talvez você tenha tido os seus heróis, talvez você ainda os tenha. Elias não era assim. Ele era um homem comum, como eu, como você que se encontra aqui nesta noite. Em Tiago 5.17, nós lemos: “Elias era homem semelhante a nós, sujeito aos mesmos sentimentos.” Houve momentos em que ele sentiu solidão, houve momentos em que sentiu medo e houve momentos em que achou que não podia fazer mais nada. Entretanto, houve momentos em que o zelo pelas coisas de Deus fez de Elias um homem extraordinário. Nós queremos neste momento, meditar sobre um episódio que foi o ápice da carreira profética de Elias.
Texto-Base: 1 Reis 18:30- 46
Elias foi profeta do Reino do Norte, tendo vivido no auge da corrupção de seu país, no século IX a.C. Seu ministério foi marcado pelo sobrenatural de Deus. Ele foi uma pessoa presente na história de Israel, isto é, encontrava-se envolvido com os problemas, os conflitos e as aflições de seu povo. Um pouco antes desse profeta se destacar em Israel, o que se via era uma grande confusão espiritual e uma sociedade marcada pela injustiça. O rei Onri, por exemplo, foi considerado “pior do que todos quantos foram antes dele”, 1 Rs 16: 25-26. Depois de sua morte, Acabe, seu filho, reinou em seu lugar e fez ainda pior, multiplicando a tragédia e a iniqüidade em Israel, 1 Rs 16: 31-33. Seu casamento com Jezabel foi uma união política que contribuiu muito para engrossar ainda mais o caos dessa nação e intensificar a adoração a Baal, que era tido como o deus do sol e responsável pela germinação e crescimento da lavoura, pelo aumento dos rebanhos e da fecundidade das famílias.
No texto que lemos, depois de provar com fogo aos 450 profetas de Baal que só o Senhor é Deus, Elias vê-se diante de um de novo desafio, isto é, não chovia em Israel há muito tempo. Ele, porém, não titubeia e manda dizer ao rei Acabe que se preparasse, porque haveria de descer sobre Israel uma forte chuva. Analisando essa passagem, aprenderemos com Elias qual deve ser a nossa postura frente aos desafios do presente século e como preparar o terreno para receber a chuva de Deus.
ARGUMENTAÇÃO
1 – Coragem para dizer a verdade
Elias repreendeu corajosamente Acabe e Jezabel. A Palavra nos mostra no v. 18: “Respondeu Elias: Eu não tenho perturbado a Israel, mas tu e a casa de teu pai, porque deixastes os mandamentos do SENHOR e seguistes os baalins.” Se eu estivesse no lugar de Elias, talvez, eu me apequenasse e quando visse a figura de Acabe e Acabe dissesse: És tu o perturbador de Israel? Eu dissesse: “Não é bem isso... Deixe-me explicar... É que há muita gente falando e às vezes distorcem o que eu digo...” Elias era como eu e você, mas não agiu com espírito de medo ou de covardia. Ele disse diretamente a Acabe que o perturbador era ele e sua família.
Elias estava, também, inferiorizado numericamente. Eram 850 cinqüenta profetas contra 1. Se fosse eu no lugar de Elias talvez eu ficasse esperando até que Deus mandasse reforços e eu ficasse numericamente em vantagem. Pois, como diz o ditado: “seguro, morreu de velho...” E poderia até justificar dizendo: “eu não sou medroso, eu sou prudente...” Elias era como eu e você, mas como faz falta hoje atitudes como a de Elias que não se deixam abater pela força da maioria mas confiando tão somente em Deus é capaz de confrontar aqueles que são contra o Reino de Deus. V.19: “Agora, pois, manda ajuntar a mim todo o Israel no monte Carmelo, como também os quatrocentos e cinqüenta profetas de Baal e os quatrocentos profetas de Azerá que comem da mesa de Jezabel.”
Elias confrontou, ainda, a dubiedade do povo de Israel. V. 21: “Então, Elias se chegou a todo o povo e disse: Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o SENHOR é Deus, segui-o; se é Baal, segui-o. Porém o povo nada lhe respondeu.” Se eu estivesse no lugar de Elias, talvez eu procurasse ser mais simpático com aquele povo. Afinal de contas, ele já era odiado por Acabe e Jezabel e estava inferiorizado numericamente. Elias era como eu e você, mas não estava preocupado em ser simpático às pessoas, mas em ser aprovado por Deus. Ele não buscava o aplauso fácil daqueles que por pouca coisa abandonavam até o seu próprio Deus, mas buscava ser fiel àquele Deus que nunca falha.
2 – Restauração do altar e oferta
Antes de pedir que o fogo do Céu descesse, Elias restaurou o altar do Senhor e colocou ali a sua oferta. Quando o altar está quebrado, as nossas orações não passam do teto do nosso quarto. É preciso haver arrependimento, humilhação e oferta do nosso eu para que a nossa comunhão seja restaurada completamente e os milagres de Deus possam fluir nas nossas vidas. É preciso morrer para nós mesmos, se quisermos desfrutar da plenitude do que Deus tem para realizar em nós e através de nós.
3 - Fé sobrenatural fundamentada na Palavra de Deus
Elias tornou as coisas mais difíceis para si mesmo. Se fosse eu, na minha incredulidade, talvez deixasse a lenha bem seca, e ainda colocasse um pouco de palha no meio, na esperança de que o calor do sol pudesse dar início a um pequeno fogo. V. 34-35 ”E disse: Enchei de água quatro cântaros e derramai-a sobre o holocausto e sobre a lenha. Disse ainda: Fazei-o segunda vez; e o fizeram. Disse mais: Fazei-o terceira vez; e o fizeram terceira vez. De maneira que a água corria ao redor do altar; ele encheu também de água o rego.”
Elias deixou bem claro o sinal do poder de Deus. Cair fogo do Céu. Se eu fosse Elias, talvez eu os desafiasse com um sinal vago e genérico que de alguma maneira me possibilitasse em caso de fracasso, uma interpretação que ao final me fosse favorável. Elias era como eu e você, mas ele não buscou o caminho da manipulação da fé, do ludíbrio e do sucesso sem vitória. Ele foi claro e objetivo quanto ao sinal que Deus haveria de realizar como manifestação da Sua onipotência. Deus é Deus não só para fazer, mas é Deus para anular os intentos dos que se opõem a Ele e não permitiu nenhum sinal enganador por parte de Satanás para confundir o povo naquele momento crucial.
Não chovia há três anos e meio nesse país. Deus reteve a chuva, que gerou uma crise de fome nessa nação. E esse foi o momento para Elias provar mais uma vez que de Deus não se zomba, Gl 6: 7. Apesar de não possuir nenhum tipo de informação do serviço de meteorologia, Elias manda um recado ao rei Acabe: “Sobe, come e bebe, porque ruído há de uma grande chuva”, v. 41. Ele sabia o que estava fazendo porque acreditava no sobrenatural de Deus. O cristão não anda por vista, mas por fé, 1 Co 5: 7 e Hb 11: 1.
Sair do natural para o sobrenatural, do teórico para prático é o grande desafio da igreja nestes dias. Mas à igreja compete a ousadia na Palavra e nos dons espirituais, para que sinais e prodígios aconteçam em nosso meio. As promessas de Deus são os indícios que temos para sairmos da armadilha do natural e tomar posse do sobrenatural.
4 - Oração fervorosa
Elias não chegou à presença de Deus de maneira convencional, ou seja, ele não se ajoelhou com o auxílio de uma cadeira ou de algo semelhante. Ele ajoelhou-se e colocou o rosto entre as pernas, v. 42. Essa é uma maneira atípica de oração, isto é, trata-se de um costume da mulher hebréia no momento de dar a luz um filho. Essa posição facilitava o nascimento da criança. E Elias se comportou dessa maneira.
Jesus disse que a criança é a recompensa do momento de dor e de aflição de uma mulher durante o parto: “A mulher quando está para dar a luz, sente tristeza, porque é chegada a sua hora, mas, depois de ter dado a luz a criança, já não se lembra da aflição, pelo prazer de ter gerado um descendente, carne da sua carne”, Jo 16: 21.
Elias era um homem de oração: “Orou com fervor para que não chovesse, e durante três anos e seis meses não choveu sobre a terra”, Tg 5: 17. Orou para que viesse fogo do Céu e consumisse o holocausto e assim foi feito. Orou para que viesse a chuva depois de 3 anos e meio de seca e assim aconteceu. Sua intercessão foi audaciosa porque acreditava na intervenção divina. Cremos que a oração move os Céus e muda as circunstâncias ao nosso redor, fazendo com que o impossível se torne realidade.
5 – Atitude de servo, baseada na humildade
Elias faz questão de deixar claro que é apenas um servo e que toda a honra e a glória do que estava para se realizar eram devidas unicamente ao Deus Único e Todo-Poderoso. Em nome do Senhor, de quem sou servo, é assim que Elias se apresenta ao rei Acabe.
6 - Perseverança
Uma coisa é ter expectativas, outra bem diferente é a perseverança. Empreender um projeto e preestabelecer o tempo da perseverança é fator muito importante. Elias fez isso. Ele disse ao seu moço. “Sobe agora e olha para a banda do mar (Sul). E subiu, e olhou, e disse: Não há nada. Então, disse ele: torna lá sete vezes”, v 43. Elias estava dizendo: Vá lá e observe atentamente. Não desista, continue, porque a minha oração está subindo ao trono de Deus e a resposta já está chegando. Daqui a pouco o Senhor vai se manifestar. É questão de tempo. E eu só vou parar de buscar ao Senhor depois que começar a chover. Elias foi um cristão perseverante. Esta deve ser a marca da igreja. A perseverança é um dos fatores determinantes para o seu progresso. Como resultado da perseverança, após a sétima vez, o mordomo disse ao profeta: “eis aqui uma pequena nuvem, como a mão de um homem, subindo do mar”, v. 45. Todo projeto nasce pequeno. Uma pequena nuvem como a mão de um homem foi crescendo, crescendo, até se tornar em algo grande. Tenhamos a certeza de que a perseverança é elemento-chave para se alcançar grandes alvos. Ela marca e dá sustentação a qualquer tipo de projeto, Lc 18: 1.
7 – Autenticação divina dada pelo Espírito Santo
Gosto desta expressão: “E a mão do Senhor estava sobre Elias”, v. 46. Isso tem um significado profundo para a igreja. Elias recebeu poder de Deus para correr na frente do carro de Acabe do Monte Carmelo a Jezreel (uma distância de cerca de 40 km). Elias foi fortalecido pelo Espírito para realizar um fato milagroso. A mão do Senhor é uma referência indireta ao Espírito Santo. Neste caso, o Espírito Santo simboliza a mão de Deus sobre a Igreja na terra. Jesus disse que quando o Espírito viesse, autenticaria a missão da Igreja: “Mas recebereis o poder do Espírito Santo, que há de vir sobre vós, e ser-me-eis testemunhas tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samaria e até os confins da terra”, At. 1: 8 e At 2: 1-13.
É preciso saber que não há como realizar a obra de Deus sem a autenticação do Espírito Santo. Qualquer tipo de estratégia, método, técnica, ou proposta de trabalho que nãofira os princípios bíblicos e que tenha por objetivo promover o crescimento da igreja pode ser usado. Mas tudo se torna em vão sem a autenticação da mão de Deus. O Espírito sopra aonde quer e nós só temos que segui-lo. Nós não determinamos a direção do vento, mas podemos acompanhá-lo.
CONCLUSÃO
A vida e o ministério de Elias, retiram de nós a nossa desculpa preferida de que pessoas como nós não podem fazer muito. Elias nos esmaga com o peso das evidências. Eu e você nas mãos de Deus podemos muito. Podemos ter intrepidez diante dos poderosos para falar dos desígnios de Deus. Podemos confrontar a maioria e vencermos pelo poder de Deus. Podemos, também, confrontar os que se dizem povo de Deus, mas que têm optado por uma vida dividida entre Deus e Baal.
Não é possível servir a Deus sem deixar a luxúria, a lascívia, a vaidade, a mentira e a falsidade. O caráter santo de Deus não permite essa comunhão de luz e trevas, de pecado e louvor, de comunhão e raiz de amargura. É preciso restaurar o altar, sacrificando o nosso próprio eu para entronizar a Deus em nossos corações. Podemos, ainda, viver a nossa fé sem fazer atalhos, sem confiar na nossa técnica, na nossa capacidade, no nosso desempenho. Podemos, finalmente, exercitar a nossa fé, pedindo a Deus sinais claros e determinados do seu poder e glória, para que aos olhos do mundo fique patente. O Deus que faz cair fogo do Céu, esse é que é Deus. Elias era como eu e você. Ele conseguiu. Você também pode conseguir.
Finalizo, dizendo que Elias, embora fosse sujeito às mesmas paixões que nós (Tg 5: 17), pode trazer a chuva de Deus para a sua geração. Quero crer que há barulho de uma grande chuva de avivamento sobre esta nação. Vidas que tenham o altar restaurado e sejam marcadas pela oração, fé, coragem, humildade, perseverança e presença do Espírito Santo serão os instrumentos de Deus para que esse derramar venha já sobre a nação brasileira e, particularmente, sobre essa igreja. Deus chama você para ser uma delas.